Pólipos nas pregas vocais levam Alex Escobar a fazer cirurgia

 

Lesão benigna nas pregas vocais está associada ao uso excessivo da voz e pode afetar profissionais que dependem da comunicação no trabalho, como é o caso do apresentador da Rede Globo


 

O apresentador Alex Escobar, da Rede Globo, revelou em suas redes sociais que está afastado da emissora por causa de um problema de saúde. O jornalista revelou que enfrenta pólipos nas pregas vocais desde o fim do ano passado e que precisará passar por uma cirurgia para tratar a condição. A otorrinolaringologista e Presidente da Associação Goiana de Otorrinolaringologia Juliana Caixeta alerta que rouquidão que persiste por vários dias, falhas na voz ou cansaço ao falar podem ser sinais de um problema que exige atenção: o pólipo vocal.

A lesão benigna nas pregas vocais costuma estar associada ao uso excessivo ou inadequado da voz e pode comprometer diretamente a comunicação e a qualidade de vida. Embora seja uma condição considerada benigna, o problema pode impactar significativamente a rotina de quem utiliza a voz como principal ferramenta de trabalho.

De acordo com a médica otorrinolaringologista, o pólipo vocal costuma surgir a partir de traumas provocados pelo uso inadequado da voz ou por esforço vocal repetitivo. “O pólipo vocal é uma lesão benigna, normalmente unilateral, que está associada ao abuso vocal, ou seja, uso excessivo, abusivo da voz ou trauma vocal”.

Estudos científicos da área de otorrinolaringologia indicam que entre 6% e 15% da população pode apresentar algum tipo de distúrbio vocal ao longo da vida, condição conhecida como disfonia. As informações foram divulgadas em pesquisas disponíveis na base científica do National Center for Biotechnology Information (NCBI), ligada à Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Entre profissionais que utilizam a voz como principal ferramenta de trabalho – como professores, cantores e comunicadores –, esse número pode ser ainda maior. Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais indicam que entre 20% e 50% desses profissionais apresentam problemas vocais em algum momento da carreira. Esse cenário faz com que os distúrbios da voz sejam considerados um importante problema de saúde ocupacional.

A especialista explica que a presença da lesão interfere diretamente no funcionamento das pregas vocais e dificulta o fechamento adequado durante a fala. Como consequência, surgem alterações perceptíveis na voz e no esforço necessário para se comunicar.

“Como as pregas vocais não conseguem se fechar de forma adequada, por conta da lesão, a pessoa passa a ter rouquidão, episódios em que a voz falha ou desaparece, além de cansaço para falar, principalmente quando precisa falar muito”, afirma Juliana Caixeta (foto).

Crédito: Karen Tondato

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os principais sintomas da presença de pólipos nas pregas vocais incluem rouquidão persistente, voz sussurrada ou irregular, fadiga vocal e sensação de corpo estranho na garganta. Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento do problema, entre eles gritar, falar por longos períodos, cantar com esforço, tabagismo, alergias, pigarro crônico e refluxo gastroesofágico. Essas condições podem irritar ou causar traumas nas pregas vocais.

O diagnóstico é realizado por um médico otorrinolaringologista por meio de exames específicos, como laringoscopia ou videoestroboscopia, que permitem visualizar e avaliar o funcionamento das pregas vocais. Quando o pólipo é confirmado, o tratamento pode envolver procedimento cirúrgico associado à reabilitação vocal. “O tratamento principal é a microcirurgia de laringe para remoção, associada a fonoterapia”, explica a especialista.

Após a cirurgia, a fonoterapia é fundamental para promover a reeducação vocal e prevenir novas lesões. Outra dúvida comum entre pacientes é a diferença entre pólipos e nódulos vocais. Diferentemente dos nódulos conhecidos popularmente como calos nas cordas vocais, os pólipos costumam ser unilaterais e podem surgir até mesmo após um único episódio de abuso vocal. Os nódulos também respondem melhor à fonoterapia, podendo, até mesmo, desaparecer. Com o polipo, isso raramente acontece e a melhor conduta é a cirurgia.

Apesar de causar impacto significativo na voz, o pólipo vocal é uma lesão benigna e não evolui para câncer. O objetivo do tratamento é melhorar a qualidade vocal, reduzir os sintomas e preservar a comunicação. Juliana Caixeta alerta que qualquer alteração na voz que persista por mais de duas semanas deve ser avaliada por um médico, principalmente em pessoas que utilizam a voz com frequência no trabalho.

Com informações da assessoria de imprensa

 

 

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